O coração essa máquina tão poderosa quanto enganosa!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O ser humano traz no interior de seu peito uma máquina poderosíssima, pela biologia denominada coração. Possui cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de largura e 6 cm de espessura, pesando aproximadamente 250 gr, medidas e peso estimado para o coração de uma pessoa adulta.






Essa pequena máquina possui três camadas: o endocárdio (seu revestimento interno), o miocárdio (porção muscular de sua parede) e o pericárdio (revestimento externo derivado das cavidades do celoma). O compartimento cardíoco de parede mais espessa e vigorosa é o ventrículo esquerdo, responsável pelo bombeamento do sangue através de toda a grande circulação.





Existem válvulas entre os compartimentos cardíacos, dentre eles os grandes vasos que a elas se ligam. Entre o átrio e o ventrículo direitos, se encontra a válvula tricúspide, a qual possui três folhetos membranosos. Quando da contração do átrio, ela se abre e permite que o sangue passe. Quando o ventrículo se contrai, ela se fecha e impede o refluxo de sangue para o interior do átrio.

Entre o átrio e o ventrículo esquerdos, situa-se a válvula mitral (ou bicúspide), com dois folhetos membranosos. Seu comportamento é similar ao da válvula tricúspide.
A contração do coração se chama sístole, e corresponde à fase de ejeção ou esvaziamento. O movimento de relaxamento e enchimento de suas câmaras chama-se diástole.

Mecanismos extremamente precisos ajustam a frequência dos batimentos cardíacos, garantindo a chegada de oxigênio e nutrientes na medida necessária para todas as partes do corpo.

O coração de um adulto bate cerca de 72 vezes por minuto e bombeia cerca de 7200 litros de sangue por dia. É uma bomba tão potente que é capaz de jogar o sangue a uma distância de 120 metros (!). Sim, mas enquanto como órgão humano é poderoso, como sede dos sentimentos, isto é, figuradamente, é enganoso ao extremo. Não por acaso, a Palavra nos afirma que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17.9). Nos informa ainda que "(...) do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mateus 15.19), além de centenas de outras referências bíblicas que podem ratificar essa verdade.

Mas o mais interessante é que, apesar de saber que ele é enganoso, muita gente se deixa levar por ele. Toma decisões segundo os seus próprios sentimentos (i.e., segundo o próprio coração) e tenta justificar com a assertiva de que "Deus falou comigo". Dessa maneira se colocam como Deus, uma vez que seguem seus próprios desejos. Depois não adianta reclamar...

Prezado, deixe de querer seguir o seu coração. Ele é enganoso. Tome decisões pautadas nos ditames da Palavra, que é bem melhor.

Deus abençoe sua vida.

Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian

Fonte: [ Blog do autor ]
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A Igreja de Cristo e os desafios para o novo milênio!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010


Vivemos numa época chamada por muitos de “pós-moderna”, caracterizada por forte desconfiança da razão, muitas e novas “verdades”, individualismo e consumismo. Há uma semelhança muito grande entre o nosso tempo e a época em que o cristianismo surgiu. O que temos visto é o ressurgimento de uma cultura pagã, muito parecida com a cultura do tempo de Jesus e dos apóstolos. A Igreja Cristã hoje é ignorada pelo mundo, tendo que lutar por sua sobrevivência ao lado de muitos outros movimentos religiosos. Estas mudanças, que estão ocorrendo no mundo, tem tido poderosa influência sobre nossa doutrina, nossa pregação e nossa forma de ser igreja. Este estudo é dividido em duas partes. Na primeira, examinaremos brevemente o impacto na igreja de uma forma de pensar “pós-moderna”, e, na segunda parte, examinaremos onde a história da Igreja pode nos ajudar a mantermos a fé evangélica de forma fiel à herança cristã.




1. Qual o impacto da forma de pensar de nosso tempo na vida da igreja?



O impacto da “pós-modernidade” pode ser visto de forma muito forte no meio evangélico hoje. Atualmente é cada vez menor o número de pessoas que buscam adorar a Deus “em Espírito e em verdade” (Jo 4.24). Em nossas igrejas temos visto a influência deste novo paganismo, levando nossas comunidades a adotar ordens de culto em que o sentimento de reverência cede lugar à descontração e o bem-estar do adorador torna-se mais importante que a sua humilhação e dedicação a Deus. O Senhor Deus é transformado numa espécie de “força”, disponível sempre que necessário, mas que não incomoda. Louvor e adoração espontânea são a ênfase dos cultos – a pregação da Palavra de Deus muitas vezes é desprezada! Neste contexto, o canto e o louvor produzem um elevado clima emocional, onde é proposta uma “teologia” que não se apóia muito numa doutrina, mas que é baseada numa experiência emocional dos crentes, sem um apelo à razão. Por outro lado, o que podemos constatar é que a emocionalidade buscada pelos cristãos muitas vezes é pobre em relações de amizade profundas e verdadeiras. É por isso que poderíamos sugerir que a igreja tem sido influenciada pelo discurso pós-moderno, preso às emoções e individualista. O importante é só o que o fiel consegue experimentar!



A crítica atual à razão e à instituição, além de promover divisões nas igrejas, as tem deixado sem defesa para as novas tendências teológicas. Por isso, os cristãos de hoje não vêem dificuldades nem empecilhos em assumir conceitos e palavras que fazem parte de outros grupos religiosos, inclusive surgidos em esferas opostas ao cristianismo. Podemos ver esta descaracterização do evangelho naqueles que acreditam em “simpatias”, copos d’água em cima do rádio (ou televisão) e benzedeiras, imitando o catolicismo popular, criando até mesmo uma versão “evangélica” das superstições populares da Idade Média, como vendas de “óleo ungido”, “água do Rio Jordão”, etc. Outros entram em “transe” nas reuniões, e outros viajam quilômetros somente para orar com alguém que, supostamente, tem dons especiais, ou que sua oração é “mais poderosa”. Mesmo os cultos de origem africana, como o candomblé e a macumba, encontram certa semelhança em algumas igrejas evangélicas, onde indivíduos caem e rolam no chão, supostamente possuídos por demônios, tais como os possuídos por “espíritos” nos “cultos afros”. Até o discurso de tais reuniões é usado em meio à obsessão por demônios, pela qual passa a igreja evangélica no Brasil (“maldição hereditária”, “amarrar espíritos”, “tranca-ruas”, etc.). A própria simplicidade bíblica (Fp 4.11; 1Tm 6.8; Hb 13.5) é substituída pela teologia da prosperidade com seu vocabulário sem significado, “eu repreendo”, “eu declaro”, “tá amarrado”.



O mais trágico é que há igrejas ensinando que para uma pessoa ser salva ela precisa cumprir uma elaborada lista de itens, da qual constam: receber o Senhor Jesus como único salvador, participar das “reuniões de libertação” da igreja para se ver livre do diabo, buscar o batismo com o Espírito Santo, andar em santidade, ler a Bíblia diariamente, evitar más companhias, ser batizado, freqüentar as reuniões de membros da igreja, ser fiel nos dízimos e nas ofertas e orar sem cessar e vigiar. Essas igrejas acabam confundindo salvação com santificação. E, pior ainda, mesmo cumprindo toda a lista, no entender destas igrejas, um cristão pode vir a perder a salvação. Mas as Escrituras claramente nos ensinam que homens e mulheres pecadores são salvos somente pela fé, somente em Cristo! Parece que os dirigentes destas igrejas nunca leram as epístolas de Paulo aos Romanos e aos Gálatas!



Estas tendências são extremamente perigosas, porque o cristianismo, que sempre sofreu ameaças de ser seduzido pela cultura de seu tempo (e por vezes sucumbiu a ela), mais uma vez está diante deste desafio. A cultura do prazer, do individualismo, das soluções mágicas de nosso tempo, de um “deus” que pode ser manipulado através de técnicas, tem agora o seu representante “cristão”. A partir desse quadro, podemos facilmente perceber que o resultado será uma espiritualidade sem significado. É interessante notar que as antigas confissões de fé cristãs, seguindo os ensinamentos das Escrituras, afirmavam que a pureza ou não de uma igreja se mede pela fidelidade com o qual o Evangelho é pregado (o que inclui as doutrinas centrais do cristianismo) e as ordenanças celebradas (o que aponta para a teologia prática das igrejas), e não pela quantidade de membros que elas conseguirem!



2. Aprendendo da História: uma direção para a Igreja



(1) Se desejamos ser uma igreja fiel, precisamos redescobrir as doutrinas centrais da fé cristã – e isto não é pouca coisa! Precisamos estudar todas as doutrinas bíblicas, buscando saber quais são aquelas que são vitais para nossa salvação, e quais são as que podemos ter opiniões diferentes. Então, a partir deste ponto, devemos pregar e ensinar doutrinariamente, enfatizando a centralidade das Escrituras, a doutrina da trindade, que nos ensina que Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o ofício e a obra de Cristo, verdadeiro Deus, verdadeiro homem, o pecado e a culpa, expiação, regeneração, a fé e o arrependimento, a justificação, a santificação como obra do Espírito, julgamento, céu e inferno, e, em tudo isto, denunciando o cristianismo hipócrita e nominal. Tragicamente temos sido afastados “da simplicidade e da pureza que há em Cristo Jesus” (1Co 11.4). Nossa atenção também precisa ser chamada para o fato de que a verdadeira doutrina é que produz a unidade na Igreja (Ef 4.1-16).



(2) Agora, uma palavra especial para aqueles que têm servido à igreja na pregação e no ensino. Não basta apenas uma recuperação teológica, pois se nossa teologia não serve para ser pregada, então ela é uma má teologia. Precisamos recuperar uma pregação bíblica e doutrinária. Precisamos de pregadores expositivos, que busquem pregar toda a Palavra de Deus, e saibam que só o Espírito Santo, ligado à Palavra, pode salvar pecadores. O que é a pregação expositiva? Talvez, melhor do que definir, seja ilustrar. Martinho Lutero (1483-1546) pregava da seguinte forma para sua congregação: no domingo, às 5h: Epístolas Paulinas; às 9h: os Evangelhos; à tarde: o catecismo; segundas e terças: o catecismo; quarta: Evangelho de Mateus; quinta e sexta: Epístolas Gerais; sábado: Evangelho de João. Em nosso tempo, D. M. Lloyd-Jones (1899-1981) pregou dez anos na Epístola aos Romanos, e seis anos na Epístola aos Efésios – e sua igreja ficava lotada! Lutero, Lloyd-Jones e outros que têm seguido este método de pregação, têm buscado enfatizar “todo o conselho de Deus” (At 20.27), ensinando toda a Bíblia para o povo.



No tempo da Reforma, a promoção deste tipo de pregação era um claro ataque contra os métodos de ensino católicos. Estes usavam a dramatização, que era chamada de “dramatização dos mistérios”, quando atores profissionais eram pagos para, junto ao altar, representar diante do povo, que eles consideravam incultos e incapazes, as verdades das Escrituras – que muitas vezes eram romanceadas! Mas, segundo uma antiga confissão de fé, “a pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus”! Então, por causa de seu alto conceito das Escrituras (1Tm 3.16; 2Pe 1.19-21), por entender que a exposição da Palavra é o meio de salvação (Rm 10.13-17; 1Pe 1.23), e que o homem, por ter a imagem de Deusé um ser com capacidades racionais, nossos pais espirituais rejeitaram estes acréscimos. O único “sacramento” que eles aceitaram era a pregação da Palavra. Além disto, a pregação bíblica não pode ficar de fora dos cultos, pois é parte integrante da adoração. Precisamos voltar a ensinar toda a Palavra, não apenas aquilo que gostamos mais, ou que nos é mais familiar, mas toda a Palavra de Deus. Quando o fiel ensino e a pregação da Palavra são negligenciados, sempre surgirão superstições e crendices dentro da própria igreja evangélica. Esta ênfase se torna mais urgente quando vemos que, em recente pesquisa, a Sociedade Bíblica Ibero-americana divulgou que 51% dos pastores evangélicos no Brasil nunca leram a Bíblia inteira! A ênfase que Jesus dá a crermos nele “como diz a Escritura” nos ensina que a doutrina correta tem poder para produzir vida (Jo 7.37-39)!



(3) Precisamos redescobrir uma nova forma de ser igreja. O Novo Testamento oferece limites para sermos igreja, mas dentro destes limites há muita liberdade para adaptações às mudanças que aparecem nos diferentes lugares e épocas. Partindo deste ponto, precisamos reafirmar de forma criativa a vida em comunidade. Para isto devem ser encorajados meios para incluir os vários dons espirituais dos cristãos no ministério de nossas igrejas, lembrando que cada crente é importante e tem um ministério necessário no Corpo de Cristo (Rm 12.4-8; 1Co 12.8-11, 28-30; Ef 4.11-16; 1Pe 4.8-11). Ao mesmo tempo, todos os membros deveriam estar conscientes de suas responsabilidades de mútua submissão e auto-doação na igreja em que participam (Ef 5.18-21). A igreja, enquanto estabelecida por verdades bíblicas, existe para nutrir relações de cuidado entre seus membros (1Co 13.1-13). Para imitar a igreja do Novo Testamento, a igreja local tem que cultivar amizades profundas. Cultos nos lares, núcleos de estudos bíblicos, retiros e outras formas de comunhão contribuem para reunir em amor o povo de Deus, exaltando a alegria e o amor da Trindade, antecipando a comunhão abençoada do céu.



O preço do discipulado e a disciplina precisam novamente ser enfatizados na igreja, pois o que tem prevalecido em nosso meio é conhecido como “graça barata”. Não podemos nos deixar de espantar com o ataque de Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) contra esta perversão da livre graça de Deus: “Graça barata significa a graça vendida no mercado como quinquilharia ordinária… Graça barata não é o tipo de perdão que nos liberta dos laços do pecado. Graça barata é a graça que concedemos a nós mesmos. Graça barata é a pregação do perdão sem a exigência do arrependimento, batismo sem disciplina na igreja, comunhão sem confissão, absolvição sem confissão pessoal. Graça barata é a graça sem discipulado, graça sem a cruz, graça sem Jesus Cristo vivo e encarnado”.



Precisamos também recuperar o rico conceito bíblico de sacerdócio de todos os crentes (1Pe 2.5,9; Ap 1.6; 5.10; 20.6). Segundo Lutero, todo cristão é sacerdote de alguém, e somos todos sacerdotes uns dos outros. Este sacerdócio deriva diretamente de Cristo, pois “somos sacerdotes como Ele é sacerdote”. É uma responsabilidade tanto quanto um privilégio: “O fato de que somos todos sacerdotes significa que cada um de nós, cristãos, pode ir perante Deus e interceder pelo outro. Se eu notar que você não tem fé ou tem uma fé fraca, posso pedir a Deus que lhe dê uma fé sólida.” Não podemos ser cristãos sozinhos, precisamos da “comunhão dos santos”: uma comunidade de intercessores, um sacerdócio de amigos que se ajudam, uma família em que as cargas são compartilhadas e suportadas mutuamente. Nem todos podem ser pastores, mestres ou conselheiros. Há um só “estado” (todos os cristãos são sacerdotes), mas uma variedade de funções (cada cristão tem um chamado específico da parte de Deus, para glorificá-Lo no mundo). Em todas estas coisas, somos ensinados que Deus, em Cristo, por meio do Espírito, nos chama como indivíduos para vivermos em comunidade, pois não existe uma fé solitária segundo o Novo Testamento (Hb 10.19-25).



Conclusão



Num tempo de mudanças tão profundas e complicadas, temos diante de nós uma grande tarefa – a de, na dependência do Espírito, orar, pregar e ensinar, de tal forma que a Igreja de Cristo passe da infantilidade para a maturidade (Ef 4.11-16). Uma petição do Livro de Oração Comum expôs toda nossa responsabilidade e toda a nossa esperança na tarefa de proclamarmos com força renovada a fé evangélica: “Todo-poderoso e eterno Deus, que pelo Espírito Santo preside no concílio dos apóstolos, livra-nos do erro, da ignorância, do orgulho e do preconceito; e confiados em tua misericórdia, te imploramos, dirige, santifica e governa sobre nosso trabalho, pelo grande poder do Espírito Santo, a fim de que o confortante evangelho de Cristo seja verdadeiramente pregado, verdadeiramente recebido e verdadeiramente seguido em todos os lugares, para a derrota do reino do pecado de Satanás e da morte; até que ao fim todas as tuas ovelhas dispersas, juntadas no teu aprisco, se tornem participantes da vida eterna; pelos méritos e morte de Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém”.



Autor: Franklin Ferreira, é teólogo, escritor e editor da Editora Fiel.

Fonte: [ Púlpito Cristão ]


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A vida é a arte do encontro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vinicius de Moraes foi quem disse a frase do título no meio do Samba da Benção, linda canção do poeta e diplomata. Ele ainda completou dizendo: “embora haja tanto desencontro pela vida”. A vida só faz algum sentido por conta de nossos encontros e desencontros.



Quando criança tudo o que se quer é o conforto do colo materno, a segurança do abraço paterno e a alegria dos momentos fraternos descontraídos. Sair correndo para abraçar o pai, a mãe ou mesmo o tio na porta da escolinha é uma celebração. A celebração do encontro. Cedo aprendemos a celebrar esses momentos mágicos e cheios de afetos que são os encontros com os que amamos.


A adolescência chega e já não se quer a presença tão próxima dos pais, agora o encontro é outro, o primeiro amor, a primeira paixão. Ah, como é esperada a hora de ir para escola para ver a garota que faz sentir um frio no estômago, os batimentos cardíacos acelerarem e a boa secar. O primeiro amor é celebrado num mundo que se revela pleno de sentimentos. Mas como há tantos desencontros pela vida, na maioria das vezes aquele primeiro amor se desfaz e o mundo desaba. Mas outros virão.

Amigos, os encontros que duram a vida inteira. Como são raros, mas como são preciosos. O bom amigo não cobra a sua presença, mas parece estar sempre presente. Sabe se ausentar quando necessário e sabe estar presente quando se precisa dele. Mesmo quando se distanciam e ficam anos sem se falarem pessoalmente, quando se vêem os verdadeiros amigos celebram, sem cobranças, e continuam a conversa de onde tinham parado da última vez que se viram. É uma pena que haja distanciamentos, que amigos se afastem, e, às vezes, virem até inimigos.

E quando achamos uma pessoa a quem amamos e que nos ama também e percebemos que queremos estar com aquela pessoa todos os dias, a vida inteira? Que coisa fantástica. Daí a vida é só encontro. Nem sempre dá certo, mas vale à pena tentar.

Em meio a todos os encontros e desencontros, há Um que deseja se encontrar conosco, mas insistimos em pegar rotas outras. Ainda bem que Ele está em todos os caminhos. Bom é ter sensibilidade para perceber no sorriso carinhoso da criança, no olhar embevecido do apaixonado, no abraço afetuoso do pai e no colo sempre disponível da mãe, além de um momento especial com as pessoas que amamos, um encontro com Aquele que nos ama. Deus é amor. Se nossos encontros são celebrações de amor, também são reveladores da sutil presença dEle.

Eu sei, às vezes parece que Ele é quem se afastou de nós. Até o crucificado perguntou o porquê do abandono. Mas são momentos em que é necessário estar só. Acredite, eles são necessários. Bom é saber que chegará o dia em que nosso encontro com Ele será definitivo e não haverá mais desencontros.

Até lá, vamos fazendo nossa vida ter sentido nos aprimorando na arte do encontro.


Márcio Rosa da Silva
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O verbo "ser igreja"!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O verbo "Ser Igreja". Talvez não seja fácil conjugá-lo nem também explicá-lo, por ir além das imponentes catedrais ou das simples residências, onde a igreja costuma historicamente se reunir; por extrapolar os formatos litúrgicos, quer mais ou menos solenes, a que a igreja costuma frequentemente se deter; por não se limitar a apenas um momento ou a um dia sagrado, como a igreja costuma tradicionalmente guardar; por independer das estruturas organizacionais e hierárquicas a que a igreja costuma fortemente se adequar; por não resumir a audição a apenas um elemento humano falando em nome de Deus, como a igreja costuma atentamente ouvir; por não está necessariamente ligado a um nome ou denominação, como a igreja costuma alegremente se apresentar; e até por se espelhar no simples exemplo de vida de Jesus mais do que nos regimentos institucionais internos ou nos conceitos teológicos humanos, nos quais, a igreja, ao longo do tempo, resolveu fortemente se embasar.






É como se tivéssemos que, de repente, passar a conjugar um verbo cujo sentido aceitamos, com as melhores intenções buscamos praticar, mas que pelo simples fato de termos nascido num contexto que o verbaliza de forma inconscientemente inadequada, desgastada pelo tempo e corrompida pelas idéias, não conseguimos, tornando-se assim difícil de entender.





Como, então, viver sem dia e local específicos para se cultuar? Ou sem uma ordem litúrgica para se ocupar? Ou ainda sem estrutura para se organizar, ou hierarquia para se empoderar? Onde estariam os especialistas para dar orientação? Ou, os guias para conduzir a celebração? A quem prestar contas? Quem seria a tão falada cobertura espiritual? E que tal a expressão "guarda-chuvas"? É como se tivéssemos nascido numa caixa, da qual viver fora parece ser não só inadequado ou talvez inaceitável, mas simplesmente impossível e abominável ao Pai.





De fato, conjugar o verbo ‘Ser igreja’ é algo muito mais simples do que aquilo que temos aprendido com as nossas elucubrações religiosas milenares. Mesmo sendo difícil conseguir ‘sair da caixa’ e, em seguida, viver fora dela, para aqueles que o conseguem, um imenso oceano se abre à frente como se antes vivessem na medida de um pequeno aquário. O culto passa a acontecer todo dia e em todo lugar, das mais cotidianas das situações às reuniões mais solenes. O senso de pertencimento passa a extrapolar os listões de membresia e os guetos das igrejas chamadas locais, enxergando-se melhor o reino de Deus.





O evangelismo deixa de ser um plano de conquista de novos adeptos para tornar-se um testemunho de vida diário, com atitudes e, se necessário, com palavras, objetivando tão somente transmitir o crucial plano de amor do Pai para a vida do filho perdido.





A ação social deixa de ser um desencargo de consciência através de uma transferência financeira para uma ONG ou instituição religiosa, para tornar-se responsabilidade pessoal com os menos favorecidos que estão mais próximos. O discipulado passa a ser um ensino no caminho muito mais do que sobre o caminho, prazeroso privilégio voltado primeiramente aos nossos próprios filhos no convívio do lar. As relações líderes/liderados passam a ter base muito mais numa autoridade de vida cheia do Espírito, que gera serviço, do que em cargos eclesiásticos outorgados por instituições, que produzem controle e manipulação. Os métodos, sistemas e modelos estruturais ou organizacionais perdem a sua razão de ser, passando a valer muito mais o sentido de organismo, pelo simples fato de estarmos juntos, em encontros mais amigáveis e familiares do que solenes, e que acontecem nos mais diversos lugares, como residências, empresas, escolas, condomínios, hospitais, velórios, restaurantes, lanchonetes, praças de alimentação, quando espontaneamente os dons se manifestam e todos cuidam uns dos outros, orando, aconselhando, confessando, perdoando, socorrendo, amando, hospedando, encorajando, liderando, ensinando, exortando, profetizando, ofertando, e muito mais, num processo de edificação mútua tão bem relatada no novo testamento, mas nem sempre enxergada por nós, face à cegueira causada pela nossa indesejada e real religiosidade.





A forma de conjugação do verbo está escrita, embora tenhamos imensa dificuldade em lê-la. Talvez porque exija, em alguns momentos, a possível inexistência de, por exemplo, um período de louvor. O que seria, então, dos dirigentes? Ou da pregação. O que seria dos pastores? Ou do estudo bíblico? O que seria dos mestres da Palavra? Ou do ofertório? O que seria do movimento financeiro? E por que também não perguntar: o que seria de nós, se dependemos muitas vezes de cada um desses elementos? Conseguindo conjugar o tal verbo, certamente cada um dos ministros de louvor ou da Palavra, ou nós mesmos, seríamos simplesmente, igreja.





Habitando entre nós, Jesus provou saber muito bem conjugar este verbo. Mesmo antes dos acontecimentos relatados no livro de Atos, Ele costumava estar sempre à mesa com irmãos para desfrutar de ceias fartas de alimento, comunhão e amizade, sempre regadas a um bom vinho, elemento que ele aproveitou do cotidiano judeu, para utilizar como símbolo, juntamente com o pão, a fim de que, até a Sua volta, recordássemos e anunciássemos o Seu sacrifício na cruz "todas as vezes" que nos reuníssemos. Naquela mesma ocasião, com os doze primeiros discípulos dessa eterna comunidade, ele nos deixava o exemplo.





No dia em que um reconhecido pastor, ao tentar me elogiar, afirmou que eu sabia "fazer igreja" muito bem, a minha boca calou e o meu coração se incomodou diante do seu grande equívoco. Não deixava de lembrar que certamente essa é uma tarefa do Espírito, não minha. Com o tempo, tal inquietação teve resposta no meu coração descobrindo que, primeiro, existe uma caixa; segundo, que é possível sair dela, apesar de um forte preço; e, terceiro, que como a ideia por si só traduz, é maravilhosamente libertador. Aprendi a não querer inconscientemente ser o Espírito Santo, na tentativa de ‘fazer igreja’, mas a buscar a Sua ajuda para conseguir conjugar o verbo ‘Ser Igreja’.



Cristianismo Criativo
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Religião Não Salva Ninguém

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Qual a sua opinião a respeito desta afirmativa?
Você acredita que a sua religião vai lhe conduzir a Deus após a morte?
Afinal qual é o propósito autêntico da religião?

A palavra Religião tem o seu sentido original de “Religar”. O seu sentido é real e verdadeiro. Vejamos, o homem foi separado de Deus por conta do pecado. Deus criou o homem para viver em perfeita harmonia com ele, pois este foi criado para louvor da sua glória, no entanto, o pecado de desobediência cometido por Adão quebrou um relacionamento entre Deus e homem, o criador e a criatura. Em Isaías 59:2 vemos, Isaías 59:2 Pois são os pecados de vocês que os separam do seu Deus, são as suas maldades que fazem com que ele se esconda de vocês e não atenda as suas orações. O texto deixa bem claro o quanto Deus abomina a pratica pecaminosa, desta forma o homem afogado em sua vida de pecado foi separado de Deus.
A idéia de religião é por si valiosa, só que, até a vinda de Jesus esta não estava atingindo o seu objetivo, a religião com seus rituais e costumes não estava levando o homem a um reencontro com Deus. A religião em si é benéfica, todavia, se ela não consegue conduzir seus seguidores a uma vida dentro da expectativa divina, ela se torna apenas um sistema de ritualismo que nada influencia, desta forma ela perde sua característica de abençoar e torna-se prejudicial, seus seguidores engana-se a si mesmo pensando está agradando a Deus.
O propósito de Jesus não era trazer uma nova religião, mas um estilo de vida dentro do que Deus esperava, “obediência”. A palavra chave de uma religião que tem como objetivo torna o homem a um relacionamento saudável com Deus é esta. Não obediência a preceitos do homem, mas as verdades de Deus expressas na bíblia.
Jesus diz o seguinte em Mateus 22:29 Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. É evidente que a desobediência ocorre da falta de conhecimento de alguns que pensa que só ter uma religião é o suficiente. Se a sua religião não tem lhe aproximado de Deus e você sente que a distancia que existe entre você e Ele é muito grande, quero lhe mostra alguns passos para esta aproximação, que também podemos chamar de reconciliação, vejamos:
Tomar conhecimento da real situação do homem. A palavra de Deus em Romanos 5:12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. E ainda mais em Romanos 6:23 porque o salário do pecado é a morte. Logo todo homem está condenado a morte espiritual que é viver longe de Deus eternamente.
Tomar conhecimento da provisão de Deus para salvar o homem. Em João 3:16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. O homem por si mesmo não podia fazer nada para se salvar. Em Hebreus 9:22 diz: De fato, quase tudo é purificado com sangue. E, não havendo derramamento de sangue, não há perdão de pecados. Nem mesmo sacrificar a si mesmo, pois o seu sangue não servia. Só Cristo Jesus poderia fazer este sacrifício e fez.
Crer no que Deus fez em Cristo por você. Em João 3:18 diz: Aquele que crê no Filho não é julgado; mas quem não crê já está julgado porque não crê no Filho único de Deus. Crê é ter convicção de que o que foi feito na cruz foi manifestação do amor de Deus por você. Ainda mais, João 5:24 Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.
Arrepende-se de seus pecados. O arrependimento nasce no coração daquele que entende esta verdade de Deus. Atos 2:38 Pedro respondeu: -Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo.
Receba no seu coração esta verdade tomando uma decisão. João 1:12 diz: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome. Esta é uma decisão que só você pode tomar, ninguém mais pode fazê-la por você. Se você acredita que Deus está te chamando faça uma entrega de sua vida para Ele, diga: Senhor quero está perto de ti, sei que sou um pecador e preciso de tua graça, receba-me, pois eu creio no que o Senhor fez por mim, obrigado, Amém.
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Porque sei que vou passar

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

De repente, sempre de repente, dou de cara com a mais bruta realidade: vou passar. As páginas de meu livro estão se esgotando; os leves estalos de meu relógio, silenciando. A lua não passará por muitos outros eclipses antes de meu sono derradeiro. De dentro, ouço a incessante ladainha: Vou passar, vou passar, vou passar...


Sei que vou passar. Prometo pular da cama na segunda-feira sem a obrigação de mudar o mundo antes que chegue o sábado. Inconformado com roteiros alheios, prometo não apostar corrida com este maldito calendário que, ultimamente, anda tão apressado. Prometo ser mordomo do dia e vigiar para que a existência não desapareça em fatias semanais; que as semanas não se diluam em meses; que os meses não se esfarelem em anos; e que os anos não se acabem em décadas.

Sei que vou passar. Prometo não negar aos meus olhos a deliciosa lembrança da professorinha de matemática de minha adolescência. Mariazinha tentou ensinar-me equações do terceiro grau enquanto meus olhos apaixonados se concentravam na geometria do seu corpo. Prometo remontar aqueles dias quando desconhecia moralismos e tabus religiosos que, depois, assassinaram as minhas paixões adultas.

Sei que vou passar. Prometo recuperar o tempo que desperdicei sem ler. Vou continuar a escolher com apuro os bons escritores. Já aprendi com Machado de Assis a lembrar-me que a hipocrisia social é avassaladora; e que só conseguimos ser honestos sobre a vida se escrevêssemos “Memórias Póstumas”. Graciliano Ramos me ensinou sobre a miséria que condena o pobre a menos que uma cadela – a Baleia de "Vidas Secas". Fernando Pessoa, meu poeta maior, me conduziu à coragem de enfrentar a angústia existencial mesmo quando produz "Desassossego". Com Dostoievski aprendi que um Raskolnikov, ambiguamente assassino e redimido, habita em cada um de nós. Victor Hugo me fez descobrir Cristo na vida de Jean Valjean, o egresso das galés, que ama sem conhecer limites.

Sei que vou passar. Prometo continuar correndo longos quilômetros. Vou continuar a encharcar a camisa de suor por pura diversão. E quando beber água de coco e alongar os músculos doloridos trarei um leve sorriso de contentamento. Hei de manter ares de campeão nas maratonas, São Silvestres e em todas as corridas de rua que participar. Ao pendurar a medalha de participação no peito, vou deixar que um santo orgulho enrubesça o meu rosto.

Sei que vou passar. Prometo contar para os netos as histórias de meus pais. Ao narrar o que vivenciei de um passado que já não existe, transmitirei o legado de nossa família . Quero entregar a eles a carteira de Atleta do Corinthians do papai; meus netos se tornarão os futuros guardiões de uma relíquia sagrada. O poema que minha mãe escreveu em uma tarde triste continuará na parede do meu escritório. Prometo nunca riscar da memória o sorriso melancólico da mulher que me deu colo e peito.

Sei que vou passar. Prometo a brindar o vinho como liturgia divina, que celebra a aliança de amigos. Vou considerar a hora em que a lua tinge o dia de prata como a melhor hora do dia. Prometo ser amigo da noite, vizinho do silêncio e parceiro das madrugadas solitárias.
Sei que vou passar. Prometo ser inteiro no que fizer, amigo fiel, bondoso com o desconhecido e terno na hora dos tropeços dos outros. Vou procurar indignar-me com a injustiça; reverenciar os pacificadores, só eles são chamados filhos de Deus.


Sei que vou passar. Prometo encher a minha aljava com a delicadeza das rosas, a irreverência dos colibris, a folia dos golfinhos, a calma do jabuti, a imponência dos carvalhos e o renascer das marés. Procurarei trazer nos lábios, mesmo diante da grande crueldade, um sorriso sempre a dizer "sou feliz".


Soli Deo Gloria
Ricardo Gondim
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Porque desisti de ser evangélico

terça-feira, 31 de agosto de 2010




Desisti de ser evangélico porque o discurso da referida religião é calcado antes no NÃO do que no SIM, cerceando a liberdade humana até nada mais restar senão uma vida não marcada, mas infectada por uma religiosidade doentia e alienante.






Desisti de ser evangélico porque as massas crentes se movimentam para “marchar para Jesus”, quando, na verdade, os tais movimentos com este nome tem somente o objetivo demagogo de favorecer lideranças corruptas e angariar votos para políticos incapazes que não governam para o povo, mas para suas placas denominacionais, para seus interesses regionais escusos.





Desisti de ser evangélico porque a mentalidade evangélica é restrita, seu raciocínio é defeituoso, sua moral é ultraconservadora e míope, favorecendo criminosos, não se escandalizando com os exagerados apelos financeiros, mas excluindo e condenando aqueles que tropeçam nos caminhos da vida pela simples razão de serem humanos.





Desisti de ser evangélico porque a fé é descrita em termos intelectuais e antiintelctuais de uma só vez. A cultura, como um todo, é condenada e descrita como profana, mas os conteúdos daquilo que os crentes entendem como sendo o “conhecimento salvador” baseiam-se não num encontro com Cristo, mas no absorver e aceitar passivamente elementos contraditórios, sob o risco de, ao questionar ou raciocinar, ser condenado ao inferno.





Desisti de ser evangélico porque, de uma só vez, os crentes declaram ser Deus o Criador do Mundo e, num outro momento; afirmam ser o diabo seu atual regente. E, ao fazerem isso, fazem da suposta rebelião no céu do lendário anjo perfeito, vitoriosa na Terra.





Desisti de ser evangélico porque é justamente este movimento que tem sacralizado o dinheiro, afirmando que podemos possuir quanto quisermos do vil metal sem incorrer em pecado. É este movimento que julga pessoas por seus triunfos financeiros, atribuindo as riquezas a Deus, fazendo do Criador um banqueiro ou até mesmo um agiota, colocando na boca do Cristo as palavras do diabo “tudo isso (poder, glória e dinheiro) se, prostrado, me adorares”. Dessa forma, criam um outro evangelho, negando o que é natural pelo que é artificial.





Desisti de ser evangélico porque, como disse acima, o amor que o dinheiro gera em nós, as prioridades que ele cria em sua ausência ou presença, é raiz de toda dor e maldade. A igreja, ícone máximo do capitalismo selvagem, massacra o mundo e se alia ao sistema que crucificou o Cristo, incorrendo assim no mesmo pecado dos líderes judeus e romanos, tornando-se participantes no mesmo crime e ainda pior, pois usurpam o Nome Daquele que deveria ser seu Amigo Maior.





Desisti de ser evangélico porque a ditadura, essa praga que tantos destruiu e matou no Brasil e no mundo, continua viva no seio das igrejas evangélicas. Os pastores e líderes em geral, cercam-se do título de “ungidos” para evitar questionamentos. Atribuindo a si mesmos um poder sobrenatural, postam-se como interpretes máximos das Escrituras, impondo suas visões sobre os homens e atribuindo aqueles que não aceitam aposentar seus cérebros os títulos de “hereges”, de “falsos profetas”; retornando assim aos tempos sombrios que antecederam a Reforma.





Desisti de ser evangélico porque ela se tornou reduto de artistas sem talento, fracassados, que, sem público, encontram nas fileiras de crentes pelo Brasil um público ávido pelo consumo e completamente desprovido de senso crítico.





Desisti de ser evangélico porque o exclusivismo evangélico é radicalmente diferente do exclusivismo de Jesus Cristo. Enquanto o autor do Quarto Evangelho afirma que o Logos é a “luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo” e, outra vez, diz “Nele estava à vida e a vida era a luz dos homens”. Toda vida, é vida de Deus.Toda Verdade, é verdade de Cristo, seja ela qual for, abranja ou se manifeste ela onde for.Os arraiais evangélicos engaiolaram a verdade e, ao fazer assim, ficaram sem ela.





Desisti de ser evangélico porque há muito tempo, os pastores deixaram de alimentar ovelhas para entreter bodes, como disse Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores.





Desisti de ser evangélico porque, embora se afirmem cristãos, Jesus Cristo é a figura menos pregada e lembrada em seus cultos e programas. Eu desafio os questionadores: ligue o rádio, vá a um culto em qualquer igreja neste domingo. Os nomes e campanhas giram todos em torno dos nomes de Davi, Gideão,Salomão; homens cujas vitórias podem inspirar ou encorajar aqueles que, enganados pela doutrina da prosperidade, esperam apenas os triunfos deste mundo. Os evangélicos têm vergonha e envergonham o Nome de Cristo.





Desisti de ser evangélico porque eles não estão interessados nos textos bíblicos, em suas verdades ou em sua sabedoria, ainda que a rotulem de “Palavra de Deus”. Este título tem, na verdade, o intuito de fazer dela regra inflexível mas distorcida ao bel prazer de seus líderes. Incapazes de torná-la atraente, já que ela não é nem ao menos para eles, mercadejam a palavra, encapando-a e materiais de luxo, torcendo-a para fazê-la ajustar aos seus temas, sejam eles os mais absurdos. Temos Bíblias para mulheres, para adolescentes, com dicas de saúde, sobre batalha espiritual e vitória financeira, etc. O conteúdo não importa. Importa vender.





Desisti de ser evangélico porque, embora se afirmem irmãs, as igrejas amontoam-se nas rádios e ruas, às vezes parede a parede, dizendo-se todas pregadoras do evangelho. Já faz muito tempo que o evangelho é “anunciado” de crente para crente. Lembro-me de participar certa feita de um batismo em certa igreja onde dez pessoas desceram as águas, enquanto mais de cem novos membros eram recebidos:todos de outras igrejas. Não obstante, a ética apostólica era outra, esforçando-se em anunciar Cristo onde Seu Nome não fosse ainda anunciado, afim de não edificar sobre fundamento alheio. Romanos 15:20-21.





Desisti de ser evangélico porque a igreja evangélica é irrelevante em termos sociais. Não vemos movimentos evangélicos por reformas, por justiça. No entanto, os líderes e crentes gostam de afirmarem-se trabalhadores incansáveis nas cadeias, nos asilos, incapazes de fazer uma avaliação crítica de seu trabalho, não contando cabeças como gado, mas verificando quantos tem, de fato, absorvido os valores do Reino. Embora a igreja devesse ser o “sal da terra”, tem crescido juntamente com o aumento da criminalidade e da violência. E da impunidade.





Desisti de ser evangélico porque o amor é tema raro nos cultos e na prática. Quando deixei o ministério Renascer, os amigos todos que tinha deixaram-me de lado, ignorando completamente as razões de minha saída, os sofrimentos pelos quais passava. Importa aos grupos evangélicos garantir seu poderio, por isso os hereges são acusados de satanismo, manipulação, imoralidade. Fui vítima, sei como é. O amor de um evangélico é determinado por aqueles que ditam as regras de sua norma salvadora. Os que estão fora de seu “círculo santo” são imundos.





Desisti de ser evangélico porque os primeiros cristãos morreram em nome de Cristo, mas hoje, néscios têm estado prontos para morrer em nome de organizações, de líderes corruptos, como se, por acaso, Jesus esperasse isso deles. JESUS NÃO EDIFICOU UMA ORGANIZAÇÃO COM NORMAS E “VISÕES”. MAS UMA ORGANIZAÇÃO, SUPOSTAMENTE FUNDADA PELOS DEUSES FOI RESPONSÁVEL POR SUA MORTE.





Desisti de ser evangélico porque toda arte produzida por não crentes é tratada como demoníaca, negando a própria doutrina evangélica que diz ser o homem Imagem de Deus. Isso por que a arte, toda arte, estimula a mente, irriga o coração, fortalece o senso crítico. Mas, na verdade, essa não á a razão maior ainda. Ao convencer pessoas de que a “música do mundo” é demoníaca, sobra espaço (e dinheiro) para os medíocres artistas evangélicos lançarem suas produções baratas todo ano. O mesmo se diz dos livros, todos de péssima qualidade.





Desisti de ser evangélico porque Deus louvou sua criação a cada momento, deliciando-se no que produzia, afirmando ser bom, mas as mentes cauterizadas dos crentes dividem o mundo entre “de Deus” e “do diabo”, negando que “do Senhor é a Terra e toda Sua plenitude”. Salmo 24:1.





Desisti de ser evangélico porque os crentes são assexuados. “O sexo é uma benção”, dizem alguns, para depois emendar: “dentro do casamento”. Sendo assim, negam a primeira afirmativa, fazendo do prazer, da libido, concessão e não dom. Os crentes temem o poder do sexo, por isso militam contra a natureza, inventando doutrinas e atando fardos sobre os ombros dos homens que nem eles nem seus pais foram capazes de carregar. Fazem do sexo uma desgraça e uma vergonha, deixando de lado textos como Gênesis 24:67 que, longe de atribuir normas ao prazer, o recebe e celebra não só como prazer mas como consolo. A fobia sexual dos crentes faz com que os “pecados sexuais” tenha maior peso do que todos os outros.





Jovens são, em pleno século vinte um, envergonhados e excluídos de suas igrejas e afazeres por conta de uma interpretação duvidosa do que seria a palavra “fornicação”. Um exemplo prático:o pregador Caio Fábio era incensado pelos crentes do país inteiro, até cometer adultério. Ainda hoje, Caio é tratado como “caído”, enquanto o Bispo Macedo, que foi preso e filmado em situações constrangedoras e comprometedoras é celebrado como santo e homem de Deus, e sua empresa é chamada de igreja, até pelos oponentes.





Desisti de ser evangélico para garantir a salvação de minha alma, não de um inferno eterno e sem esperança, invenção de homens fraudulentos, mas de uma vida indigna dAquele que aceitou a morte de cruz por mim e por cada homem.





Alex Rodrigues Ferreira
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Jovens para escrever uma nova história

terça-feira, 17 de agosto de 2010

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Onde estão os valores da igreja primitiva?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010





Ao ler o relato bíblico a respeito da igreja primitiva, principalmente a estabelecida em Jerusalém, conforme Atos capítulo 2 versículos 42 a 47, verifico uma enorme diferença com igreja atual. A prática genuína da comunhão era efetiva entre os primeiros cristãos.
A história da igreja começou no pátio do templo em Jerusalém. Depois que Cristo foi elevado aos céus, seus discípulos e mais quinhentas pessoas voltaram para Jerusalém e começaram a se reunir no pátio do templo para esperar a promessa dada por Cristo a respeito do Espírito Santo (Atos 1:5).
Dez dias depois, na festa do dia de Pentecostes (50 dias após a páscoa), o Espírito Santo desceu sobre a igreja, naquele momento com 120 fiéis. Após o movimento promovido pela ação do Espírito Santo, Pedro tomou a palavra e fez um dos mais notórios sermões de todos os tempos. Foi a primeira mensagem evangelística genuína que levou cerca de três mil pessoas ao arrependimento e a confissão da nova fé cristã.
Imediatamente, Lucas o autor do livro, faz uma rápida narração do comportamento da igreja. Nele verificamos alguns valores essenciais:
(1) Poder do Espírito Santo (Atos 2:1-13)
(2) Pregação cristocêntrica (2:14-36)
(3) Conversão (2:37-40)
(4) Batismo (2:41)
(5) Comunhão (2:42-47)
a. Mantinham orientação doutrinária
b. Comiam e oravam juntos
c. Agiam com temor e respeito pela liderança
d. Produziam milagres e sinais
e. Estavam juntos e tinham as coisas em comum
f. Vendiam seus bens e repartiam entre si
g. Adoravam juntos no templo
h. Comiam o pão em casa
i. Mantinham a alegria e simplicidade
j. Caiam na graça do povo
(6) Conversão (2:48). (Se voltar ao passo 4, verifica-se um ciclo virtuoso de crescimento da igreja).
É tão rica prática da igreja primitiva que tem sido objeto de estudos, pregações, artigos, etc, ao longo desses dois mil anos. Aqui quero me concentrar numa comparação entre a prática religiosa atual, a respeito da visão da prosperidade e da posse de bens, em confronto com a liberalidade dos primeiros cristãos.
Primeiramente, a perspectiva da igreja primitiva era que Jesus voltaria em breve. Esse é um discurso firme nos escritos neo-testamentários. Embora Jesus tenha esclarecido aos seus discípulos que as decisões a respeito do futuro de Israel não lhes competiam (Atos 1:6), o desejo de que o Messias se revelasse novamente era grande e essa visão gerou um grande desprendimento na comunidade cristã de Jerusalém.
Por outro lado, não sabiam os judeus conversos que em breve eclodiria uma forte perseguição por parte da religião oficial. Isso quer dizer que se prática liberal da igreja não houvesse sido levada a efeito espontaneamente, os novos cristãos teriam que deixar suas propriedades e fugir ou ficar e enfrentar a fúria dos sacerdotes judeus, o que poderia significar a morte.
O certo é que o exemplo de liberalidade da igreja tornou-se um grande incômodo para a prática religiosa atual. Alguns cristãos não gostam de ler essa porção bíblica ou a lêem apresentando mil justificativas.
Como conciliar o discurso moderno da prosperidade e do apego aos bens com o desprendimento dos primeiros cristãos aos bens materiais? Não pode ser esquecido que muitas pessoas ricas seguiram Jesus e, por certo, consentiram com a transferência de suas riquezas para pessoas mais pobres, numa prática sem precedentes na história da humanidade.
Como aplicar o exemplo da igreja de Jerusalém aos nossos dias? Talvez alguém argumente que a narrativa bíblica não deve ser interpretada isoladamente, devendo ser julgada pela moral e pelos valores cristãos da Bíblia. Se fizermos isso, chegaremos à conclusão que a prática primitiva é aprovada pela doutrina paulina, de Pedro e de Tiago. Talvez alguém argumente que essa prática levou a igreja em Jerusalém à pobreza a ponto de ter sido necessária a ajuda de outras igrejas. Mas, a pobreza da igreja decorreu da perseguição dos líderes judeus; ela ocorreria de qualquer forma.
A verdade é que o relato de Atos é uma pedra no sapato dos pregadores da prosperidade. Daqueles que advogam a idéia de que Deus quer trocar fidelidade por dinheiro. Daqueles que criam práticas panteístas para trazer boa vida aos seus membros.
Não sou contra a prosperidade. Acredito que Deus abençoa o homem em todos os aspectos da vida, inclusive o financeiro. Não defendo que você deva obrigatoriamente vender seus bens e dividir o resultado com seus irmãos, até porque o contexto de Atos mostra que essa prática deveria ser espontânea (ver Atos 5). Mas, acredito que a pregação interesseira, a defesa da riqueza com um valor essencial para ser considerado abençoado, chegou a um limite insustentável. Fico pensando até quando Deus vai permitir isso.
Os cristãos primitivos poderiam ter se recusado a agir com liberalidade para com seus irmãos. Poderiam ter preferido a “lei de mercado”, na qual quem tem muito compra muito, quem tem pouco compra pouco e quem não tem nada... Ao contrário, preferiram compartilhar seus bens com os irmãos numa demonstração sem precedentes de comunhão e de desprendimento.
Que essa seja uma lição para nossa vida
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Ser vencedor

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Atualmente, em muitas igrejas, classifica-se como vencedor a pessoa que possui Ser vencedor riqueza, negócios prósperos, bom emprego, bela família, ótima saúde, educação refinada, posição social elevada e coisas semelhantes. Naturalmente todos esses atributos são importantes para a existência humana, mas não encerram as características de uma pessoa vencedora. Se não fosse assim, não existiriam tantas mazelas entre aqueles que possuem estas qualidades.
Muito do que se prega sobre vitória está baseada numa visão distorcida das escrituras. Textos como Deuteronômio 6.18,24 (Também praticarás o que é reto e bom aos olhos do Senhor, para que te vá bem, e entres, e possuas a boa terra, a qual o Senhor prometeu com juramento a teus pais; Pelo que o Senhor nos ordenou que observássemos todos estes estatutos, que temêssemos o Senhor nosso Deus, para o nosso bem em todo o tempo, a fim de que ele nos preservasse em vida, assim como hoje se vê) ou ainda Gênesis 26.1-4 (Sobreveio à terra uma fome, além da primeira, que ocorreu nos dias de Abraão. Por isso foi Isaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar. E apareceu-lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser; peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti, e aos que descenderem de ti, darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que fiz a Abraão teu pai; e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu, e lhe darei todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as naçoes da terra) acabam por incutir na mente de pessoas incautas a ideia de que a vitória está centrada apenas nas condições existenciais atuais.
Entretanto, uma visão mais pormenorizada do texto bíblico, principalmente do conteúdo do novo testamento, demonstra que aspectos que vão além da existência física terrena devem caracterizar a vida do crente vencedor. Veja o texto de Apocalipse 2.7,11,17 (Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe).
Ao invés de uma visão imediata, do aqui e agora, uma visão do porvir. Enquanto os textos de Deuteronômio e Gênesis induzem o leitor a pensar no agora, o texto de Apocalipse o conduz para o amanhã. Enquanto os primeiros se voltam para uma visão terrena, o segundo enfoca a visão celestial. Os primeiros focam o material, o segundo, o espiritual. Se a percepção do Antigo Testamento tem um enfoque da vida presente, a do Novo Testamento está centrada preponderantemente na vida futura.
Logicamente não se pode desprezar qualquer porção da Palavra de Deus. Todavia, é preciso situar seu conteúdo em contexto adequado de compreensão de modo a não distorcer a verdade bíblica. Apesar de as condições de existência da humanidade influenciarem preponderantemente na maneira como se vê o mundo e se adota ou não determinadas crenças, neste campo é mais adequado imaginar que o objetivo de vitória de Deus para as pessoas esteja no campo do eterno e não do temporário. Afinal, um Deus eterno não pode situar sua ação apenas no temporário.
Daí a ponderação de que “ser vencedor” é mais do que vencer na vida sob a ótica humanista e material. Vai além, pois engloba a existência plena do homem: a vida terrena temporária e a vida espiritual eterna. Não são à toa as palavras de Jesus em Mateus 6:31-33 (Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas).
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Falsos Mestres

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. (2 Cor. 11:13).



Um sem número de doutrinas estranhas e absurdas tem invadido as comunidades evangélicas no Brasil. A lista de ensinos é interminável. Se o seu anjo não está mais dando conta do serviço, você pode trocá-lo por um mais eficiente.





É crente que fica endemoninhado. É maldição hereditária que nem a suficiência do sacrifício de Cristo dá jeito. É espírito disso e daquilo e muita falta de vergonha na cara de pecadores que não se arrependem, de seus pecados.



Como se não bastasse, há ainda mestres, guias, reverendos, pastores, bispos e até apóstolos, anunciando um outro evangelho. Além de tantas doutrinas e ensinos disparatados, surge uma liderança televisiva que ocupa o horário nobre das redes de comunicação, prometendo o que o Evangelho não promete, mentindo ao povo crédulo de uma nação que crê em quase tudo, de orixá a anjo-da-guarda.



É uma gente que faz questão de se apresentar com títulos que se dão, aparecendo de onde não se sabe, para ensinar o povo de Deus não se sabe o quê.



Como alguém que começou seu ministério fazendo a obra de Deus, pode se tornar um falso profeta, propagador de heresias?" A Bíblia predisse que isso aconteceria: Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios (1 Tm 4:1)



Aqui o verbo grego traduzido como apostatar, é afisthmi (aphistemi) que significa literalmente: abandonar, deixar, afastar-se. Portanto, o texto se refere a pessoas que estão na verdadeira fé e se afastam dela, sendo seduzidos por ensinos demoníacos. Portanto não é nenhum absurdo pensar que certos ministérios que começaram bem, tenham sido seduzidos por heresias perniciosas



O Senhor Jesus nos adverte contra os falsos profetas que se infiltram, muito sorrateiramente, nas igrejas e, com as suas mentiras, destroem-nas. Mas, como identificá-los? Quem realmente são? Eles podem nos enganar para sempre?



O caminho apertado do discipulado de Jesus é difícil, não somente por causa dos falsos profetas que tentam nos enganar, mas também por causa da própria experiência do discipulado cristão com que podemos nos enganar a nós mesmos.



Há um grave e sério perigo: um falso discipulado. E assim muitos pensaram que eram discípulos, mas acabaram descobrindo que nunca foram.



Nós temos visto a efervescência de comunidades ditas evangélicas no Brasil. A cada hora surge uma nova comunidade, sob o título mais estranho, a reunir pessoas cuja confissão de fé soa tão superficial quanto irracional.



O que estamos vendo nestes dias de proliferação de grupos, movimentos e comunidades - sem história, sem teologia, sem doutrina, sem referencial de autoridade - mas ditos evangélicos, é o Evangelho falsificado, é o Cristo caricatural, é a mensagem mercantilizada. Tudo virou um grande show, o show da fé. É só ligar a TV e sintonizar o canal.



É por isso que não tem sido fácil ser discípulo. O verdadeiro discípulo pode ser confundido com quem quer que hoje se diga evangélico. Artistas, jogadores de futebol, ex-modelos, todo mundo virou crente, sem precisar confessar pecados e mudar de vida, pois basta gravar um CD e está tudo resolvido.





A própria experiência do discipulado pode ser dissimulada. Uma confissão de fé pode ser falsificada. A prática confessional pode ser uma farsa, sendo certo que, falsos mestres só podem gerar falsos discípulos.


Pelo que saí do meio deles, apartai-vos, diz o Senhor. (II Co. 6:17)


* Araripe Gurgel
* Pastor na Igreja Cristã da Trindade


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Grupo de Jovens - POA

quarta-feira, 14 de julho de 2010

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Desassossego da segunda-feira

terça-feira, 13 de julho de 2010

Tenho tudo para viver uma vida minimamente despreocupada. Vivo como um legítimo burguês, migrante nordestino relativamente bem sucedido na cidade grande. Adquiri hábitos de classe média. Sou bi-língue. Escrevi e publiquei alguns livros, comunico-me em uma rádio para milhares de pessoas. Estou na internet. Gosto de vinho tinto seco, de Bach, de poesia latino-americana, de colóquios filosóficos. Eu não deveria ter desassossego algum; não se permite a uma personagem admitir inquietações existenciais. Espera-se que um homem semi-público mantenha-se otimista, transbordante de esperança; principalmente, líder de uma igreja.

 

Dúvidas doutrinárias? Em hipótese alguma. Os crentes são inamovíveis e, bem alicerçados em textos bíblicos, não entristecem jamais! Por que eu, então, pastor de uma comunidade de probos cristãos, começo a segunda-feira com esse enfarto emocional? Que colesterol entupiu as veias da minha alma para me deixar assim, sem fôlego?

À semelhança de Fernando Pessoa noto que “meu passado foi só a vida mentida/de um futuro Imaginado!”. A eterna competição, que me empurrava para frente, transformou-me no guerreiro que nunca desejei. As guaritas, as rondas noturnas, a constante prontidão militar, deram-me desprezo pela guerra. Odeio arenas, ringues, dos peões ao rei do xadrez, carteados, ping-pong. Trato o imperativo de vencer como um vampiro, que suga meu sangue venoso. Jogo a toalha, simplesmente. Desisto de dar certo ou estar certo. Já não me importo em ser desmentido, não faço questão que chancelaria alguma me aprove e aponte o polegar para cima.

 

Abatido, perco o medo de despencar. Disforme como um poliedro mal arquitetado desço a ladeira dos anos, aos solavancos. Palcos bem iluminados não me seduzem. Indiferente aos reclames tradicionais, desprezo os paradigmas canônicos. Quero ficar só.

 
Em minha tristeza, lacro os cadeados do espírito. Amanheço da madrugada escura sem rasgos onipotentes. Não tenho raiva da insônia. Transformo minha prece em solilóquio. Recuso a visita do sol. Desligo todas as tomadas do quarto; não quero conselho. Penduro a placa de “não perturbe” no trinco da porta. Parto para correr sozinho, enquanto duplico os quilômetros. E se alguém vier com platitude, peço deseducado: Por favor, me deixe em paz.



Soli Deo Gloria
Ricardo Gondim
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Frases (evangelicas) que não aguento mais.

segunda-feira, 28 de junho de 2010



Ricardo Gondim.





1. Amém? Está fraco. AMÉM? Amém ou não amém?

2. Quem quer receber uma bênção de Deus hoje, levante a mão.

3. Existe a lei da semeadura, e o número da conta é...

4. Isso é roubo, meu irmão; você nasceu pra ser cabeça, não cauda!

5. Esse acidente aconteceu porque você deve ter dado brecha.

6. O Diabo quer lhe destruir.

7. Estou ve ndo uma obra de bruxaria em sua vida.

8. Vamos quebrar as setas inimigas.

9. Nada vai impedir que você seja um conquistador.

10.Não há nada de errado com o dinheiro; o único problema é o amor ao dinheiro.

11. Nossa denominação ainda vai conquistar o mundo.

12. A partir de hoje São Paulo nunca mais será igual.

13. Nós somos um povo que não conhece derrota.

14. Venha para Jesus e pare de sofrer.

15. Você é filho do Rei e não merece estar nessa situação.

16. Temos a visão de conquistar a Europa para Cristo.

17. Essa doença não existe, ela é apenas uma ameaça do Diabo.

18. Deus está nos dirigindo para abrirmos uma igreja em Boca Raton.

19. Vamos amarrar os demônios territoriais que estão sobre o Brasil.

20. Todos os que fizerem a campanha das sete semanas alcançarão seus sonhos.

21. Compre esta Bíblia fantástica com os comentários de...

22. Estamos num mo ver apostólico e o avivamento brasileiro é semelhante ao do livro de Atos.

23. Teremos uma explosão de milagres na maior concentração religiosa da história.

24. Vamos ficar em pé para receber o Grande Homem de Deus, fulano de tal, com uma salva de palmas.

25. Quando vejo essa multidão de quinze mil pessoas, só tenho vontade de dizer que amo cada um de vocês.

26. O Reino de Deus precisa de um candidato na Câmara; vamos eleger nosso irmão que vai fazer a diferença.

27. Deus abrirá uma porta de emprego para você, meu irmão.

28. Semana que vem teremos mais uma sessão de cura interior.

29. Enquanto não pedirmos perdão ao Paraguai pela guerra, nunca seremos uma nação próspera.

30. Os Estados Unidos são uma bênção porque o presidente deles é crente.

31. Tudo é miçanga, só Deus é jóia.

32. Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono.

33. Este carro ficará desgovern ado em caso de arrebatamento.

34. Crianças, cantemos: "Cuidado olhinho no que vê, cuidado mãozinha no que pega... nosso Pai está olhando pra você"!

35. Olhe para o seu irmão do lado e diga: Eu amo você!

36. O Espírito Santo está me revelendo que existem ladrões nesta igreja que não entregaram seus dízimos.

37. Ah, seu problema é maldição hereditária.

38. Quando você não entrega o dízimo na casa de Deus, Ele não tem compromisso financeiro com você.

39. Quero que vocês dêem uma oferta especial para manutenção do nosso programa de rádio e TV, pois foi Deus quem mandou pregar na mídia.

40. Ora em línguas aí, irmão.

41. Restitui, eu quero de volta o que é meu.

42. A visão da nossa igreja é evangelizar. Obra social é com o governo.

43. Abram suas Bíblias no livro "X". Quem encontrou diga amém, quem não encontrou diga misericórdia.

44. Eu gostaria de cumprimentar a igreja com a paz do Senhor (se gostaria, en tão cumprimente, ou vai ficar na vontade?).

45. Abra o seu coração (como?).

46. Deus está aqui (que algo mais óbvio que isso).

47 - Deus está curando voê, minha irmã, deste nódulo no seio que você nem sabia que tinha (depois dessa, dizer mais o que).

48. Deus está operando poderosamente (alguém já viu Deus operar "meia-boca"?).

49. Deus vai enxugar suas lágrimas (O que dizer? Como é fácil falar).

50. Tá amarrado! (alguém sabe quanto tempo o Diabo leva para se desamarrar?).

51. Deus vai dar à nossa igreja um programa na Globo (tô com uma pulga atrás da orelha. Acho que esse pastor quer figurar na novela das 8).

52. Irmãos, Deus me deu revelação. Esse será o ano de Elias, de Josué, de Gideão, de João Batista... (Não parece calendário chinês?).

53. Abra a boca e profetize; as palavras têm poder.

54. Hoje eu deixo de ser crente se Deus não operar um milagre. (Por favor, d eixe mesmo!)

55. Meus irmãos, estas igrejas que usam rosas ungidas, sal grosso para descarrego, etc., não são de Deus!....Ao final do culto tragam seus documetos, carteira de trabalho, chave de casa e do carro para ungirmos, pois aqui a coisa é diferente, Deus opera!

56. Não diga isso. As palavras têm poder!!

57. Incendeia tua noiva, Senhor.

58. Seja um adorador extravagante!

59. Fui chamado para ser um levita na casa do Senhor. Posso cantar na sua igreja e vender meus CDs?

60. Não podemos fazer da igreja um clube.

61. Sendo dizimista, você pode colocar Deus contra a parede.

62. Meus irmãos, é hora de mudar o Brasil.

63. Quem tem um caroço em qualquer lugar do corpo, levante a mão que Jesus vai curar agora.

64. A Rede Globo conspira contra a igreja.

65. Quanto mais glória você manda pra cima, mais glória Deus manda pra baixo.

65. Não dá o dízimo na casa de Deus, mas acaba "dando" na farmácia (Hum, não sei não !)

66. Você que não dá o dízimo não tem moral pra exigir nada de Deus.

67. Vamos pisar na cabeça do diabo; o Diabo só conhece o número do meu sapato.

68. Quando o crente ora, deve esperar retaliação do Diabo.

69. Sabe qual o nosso problema? O mundo está entrando na igreja.

70.Eu soube que o Anticristo já nasceu e está se preparando para aparecer.

71. Eu soube de um pastor que encontrou uns feiticeiros que estavam jejuando para fazer os pastores caírem.

72. O Rei Leão da Disney é gay!

73. Minha irmã, você precisa da nossa cobertura! (essa é quase pornográfica).

74. Não esqueça de enviar os boletos bancários que eu prometo subir o monte nesta madrugada e interceder por sua vida.

75. Não fique triste com a morte do seu filho (ou com seu divórcio, ou com sei lá o que). Tudo tem um propósito e Deus sabe o que faz.

76. Irmãos, hoje o Senhor falou comigo pela manhã para trazer esta palavra.

77. Orei e a c huva parou.(então ora e manda chuva pro nordeste, não é?)

78. Estou sentindo uma opressão aqui.

79. Hoje vamos ouvir o testemunho do Irmão que era ex-gay, ex-traficante, ex-drogado, ex-macumbeiro, ex-cafetão, ex-morto, ex-satanista, ex-sei-lá-o-que e que agora é crente!!!

80. Todo inimigo, fora daqui!

81. Posso ouvir 3 aleluias e 8 améns?

82. Cuidado para não perder a benção, irmão.

83. Não adianta fugir de Deus, Ele vai ter pegar na curva.

84. Se não vier pelo amor, vem pela dor.

85. Sabe quanto custa uma consulta, uma internação? Dar o dízimo é mais barato.

86. Deus me revelou que 50 irmãos vão contribuir com mil reais cada um. Quem é o primeiro? Se não tem ninguém, então devem existir aqui 50 valentes que vão contribuir com quinhentos... Agora chegou a sua vez, meu irmãozinho querido. Todos vocês que sobraram tragam suas ofertas de um real. (Que leilãozinho ordinário, heim?)

87. Tomara que ao sair daqui um carro não passe por cima de você; vou orar para que Deus lhe dê mais uma chance.

88. Não troque sua salvação por um copo de cerveja.

89. Nesta noite Deus vai disribuir dar sapatos de fogo (Eu prefiro os de couro!)

90. Infelizmente ele preferiu morrer sem salvação do que voltar pra nossa igreja.

91. O diabo tentou impedir que você viesse aqui nesta noite, porque ele sabia que você seria revelado

92. Eu tinha preparado uma mensagem, porém o Espírito Santo quer que eu pregue sobre santidade (...E dê-lhe regrinhas!).

93. Deus confirmou a mensagem desta noite enquanto a irmã cantava aquele hino.

94. Dê o melhor que você tem , Deus não quer troco de ônibus.

95. Tire a melhor nota que você tem e ofereça o melhor sacrificio ao Senhor.

96. Tive uma visão que no estacionamento da igreja só tinha carro zero km.(Acho que ele confundiu a igreja com a concessionaria ao lado).

97. Minha teologia é joelho no chão!!!(Essa teologia é no mínimo esquisita).

98. Deus conhece a sinceridade do meu coração! Eu preciso da sua ajuda para manter este programa no ar e o número da conta é... (Sim, eu sei que Deus conhece tudo. Eu é que estou com alguma suspeita).

99. Se você sair de férias e não deixar o cheque do dízimo vai dar tudo errado na sua viagem. (E agora? Esqueci! Deve ser esse o motivo porque furou o pneu do carro)

100. Deus não escolhe os capacitados mas capacita os escolhidos. (Há muitos pastores repetentes nessa escola de capacitação).

101. Não toque contra o ungido do Senhor. (Chavãozinho para proteger os líderes inseguros).

102. Não diga a Deus que seu problema é grande; diga ao seu problema que o seu Deus é grande. (Poesia de quinta categoria]

103. Você é a menina dos olhos de Deus [com remela?]

104. Aqui é uma igreja diferente (Sério? Então tá].

105. Se vocês confiam em nós, pastores, para trazer a palavra de Deus, devem confiar na nossa ad ministração das ofertas. Não precisamos prestar contas a ninguém, só a Deus [Hummm. Acontece que a palavra foi fraquinha).

106. Chega de esperar; hoje o seu milagre vai chegar (Posso reclamar no Procon?).

107. Plante sua semente que você vai colher a cento por um (Pequenas igrejas, grandes negócios).

108. Deus sabe de todas as coisas (Que clichê cruel, na hora que não tem respostas para uma questão).

109. "Mateus, Mateus, primeiro os teus" [Não entendi, hã?]

110. Comunico o falecimento do irmão Fulano. Infelizmente, perdemos um bom dizimista (A família enlutada agradece pelo gesto de solidariedade...).

111. Depois do culto, compre meus livros e CDs de mensagens. Vão abençoar o ministério infantil que cuido. Tenho quatro filhos (Se a piada é sem graça, imagine a mensagem dos Cds e livros.).

112. Olhe para o irmão do lado e diga "você está bonito hoje" (Por que tenho que fazer esse tipo de coisa? Logo eu que sou gaúcho?).

113.Tem gente que lê muito e só cresce em sabedoria humana. O importante é o conhecimento de Deus ["conhessimento" com dois "esses", provavelmente...]





Acho que chega, não? A lista do besteirol parece não ter fim.



Soli Deo Gloria.







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O último discurso de Martin Luther King

sexta-feira, 18 de junho de 2010



Freqüentemente imagino que todos nós pensamos no dia em que seremos vitimados por aquilo que é o denominador comum e derradeiro da vida, essa alguma coisa a que chamamos morte.


Freqüentemente penso em minha própria morte e em meu funeral, mas não num sentido angustiante.

Freqüentemente pergunto a mim mesmo o que é que eu gostaria que fosse dito então, e deixo aqui com vocês a resposta.

Se vocês estiverem ao meu lado quando eu encontrar o meu dia, lembrem-se de que não quero um longo funeral.

Se vocês conseguirem alguém para fazer a oração fúnebre, digam-lhe:



* para não falar muito;

* para não mencionar que eu tenho trezentos prêmios, isto não é importante;

* para não dizer o lugar onde estudei.



Eu gostaria que alguém mencionasse aquele dia em que



* eu tentei dar minha vida a serviço dos outros;

* eu tentei amar alguém;

* eu tentei ser honesto e caminhar com o próximo;

* eu tentei visitar os que estavam na prisão;

* eu tentei vestir um mendigo;

* eu tentei amar e servir a humanidade.



Sim, se quiserem dizer algo, digam que

EU FUI ARAUTO:



* arauto da justiça;

* arauto da paz;

* arauto do direito.



Todas as outras coisas triviais não têm importância.

Não quero deixar atrás



* nenhum dinheiro;

* coisas finas e luxuosas.



Só quero deixar atrás



* uma vida de dedicação.



E isto é tudo o que eu tenho a dizer:

SE EU PUDER



* ajudar alguém a seguir adiante;

* animar a alguém com uma canção;

* mostra a alguém o caminho certo;

* cumprir meu dever de cristão;

* levar a solução para alguém;

* divulgar a mensagem que o Senhor deixou



então,

MINHA VIDA NÃO TERÁ SIDO EM VÃO.



Martin Luther King

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Relacionamentos descartáveis

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Gostaria de compartilhar com você algo que há algumas semanas vem queimando meu coração.
Vivemos atualmente num mundo onde pouco se valoriza a vida, onde pouco se valoriza o amor. Um mundo onde se fala muito sobre paz, mas pouco se respeita. Alguns têm tentado comprar e barganhar o amor. Outros praticam boas obras esperando receber algo em troca. Ainda há aqueles que são capazes de sorrir, quando dentro do coração, o que reina, é o ódio e a falta de perdão.
No entanto, neste artigo, não quero atuar numa linha geral de pensamento. Quero atuar na sua linha. Meu objetivo é fazer você pensar sobre como tem atuado nos seus relacionamentos. Seus relacionamentos são reais ou descartáveis?

Não sei quanto a você, mas até pouco tempo atrás eu tinha um sério problema quanto a me relacionar com pessoas que não pensassem como eu, que não escutassem as mesmas músicas que escuto, que não se relacionassem com Deus como eu me relaciono, que não agiam como eu gostaria que agissem, que não falassem como eu falo, e mais, que não se vestissem “corretamente” ao meu modo de ver, ou mesmo que possuíssem dificuldades (pecados, problemas, etc…) que eu não possuo.
Na verdade, o que existia em meu coração era uma “forma” (pizza ou bolo). Esta forma delineava meus relacionamentos e meus pensamentos. Ela me dava os parâmetros do que era certo ou errado, e saiba, eu “nunca” poderia estar errado, porque esta forma era tão linda e tão vistosa que eu “jamais” poderia ter errado ao construí-la. Acredite! – até Deus entrou na minha forma. Qualquer informação visual ou auditiva que recebesse, se não passasse pelos parâmetros da forma, logo seria descartado porque, certamente, estaria ERRADO!
Ledo engano, caros amigos. Com o passar do tempo, descobri que estava cometendo um grande erro. Descobri que pessoas são diferentes umas das outras e que estas pessoas necessitam de coisas diferentes para poderem se desenvolver. Descobri que todas as pessoas têm virtudes e também erros, porém, os erros delas não são “muito” diferentes dos meus, – o que muda, é somente o nome. Descobri que pessoas têm escolhas, e devo, necessariamente, respeitar suas escolhas. Descobri que uma palavra de ânimo pode tirar uma pessoa do “fundo do poço”. Descobri que mais vale um abraço do que muitas palavras. Descobri que o ser é mais importante do que fazer. Descobri que o estilo de vestir, não revela o coração. Descobri que o modo de falar, não muda o que a pessoa é. Descobri que o amor pode ser refletido através do respeito. Descobri que Deus, que é o princípio e o fim, o alfa e o ômega, não pode ser colocado dentro da minha forma, simplesmente, porque é Deus. – Ele age como quiser, com quem Ele quiser, da forma que Ele quiser e quando Ele quiser.
Com a forma, só é possível construir relacionamentos artificiais e descartáveis, isto é: você só serve para ser meu amigo ou andar comigo até que respeite os parâmetros da minha forma. Qualquer tipo de experiência ou informação que você tenha, que eu nunca tenha tido, é porque: você está errado! ou é mentira!
Para algumas pessoas, apenas reformar a forma já será o bastante para que possam viver melhor. Para outras, talvez seja necessário abandonar a de “ouro” inerrante e recomeçar utilizando uma de barro. Penso que o barro proporcionará uma maior flexibilidade em receber um toque especial do Oleiro.
Então você me pergunta: Como descobriu isso? – Em resposta digo: olhando para vida terrena de Jesus. Jesus amou ardentemente as pessoas. Mais do que apenas ter o sentimento de amor, ele se importou com elas. Jesus mudou a vida de uma mulher adúltera. Transformou a vida de uma mulher samaritana. Restaurou a vida de um cobrador de impostos e por onde passava, pessoas eram impactadas pelo seu carinho, pelo seu amor e pela sua compaixão. Os relacionamentos que Jesus criava eram todos reais.
Que nós possamos aprender a criar relacionamentos reais. Que possamos respeitar as pessoas pelo seu próprio estilo pessoal. Que nossa forma possa estar em constante atualização. Que Deus nos capacite a observarmos mais as virtudes do que os defeitos do próximo e, principalmente, que possamos, por meio do nosso testemunho, impactar outras vidas.

Pense nisso e tenha relacionamentos reais e saudáveis.



Junior Della Mea
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